Museu Municipal de Loulé

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Amar Cássima de Sílvia Rodrigues

18/05/2019

A coleção “Amar Cássima” é o resultado do trabalho de Silvia Rodrigues enquanto residente do Loulé Design Lab, espaço de criação e experimentação da Câmara Municipal de Loulé em estreita colaboração com Jürgen Cramer, artesão da Oficina dos Caldeireiros (pertencente à rede de oficinas do Loulé Criativo).

Sílvia Rodrigues, é designer e proprietária da Sigues, uma marca que trabalha o amor nas suas coleções de jóias, malas e candeeiros, peças de autor feitas com papel de jornal. Sigues é uma marca jovem que aposta na inovação e criatividade com peças sustentáveis, ecológicas e amigas do ambiente.

Todas as peças da coleção “Amar Cássima” são feitas manualmente, conjugando as técnicas ancestrais do trabalho em cobre com a inovação do uso do papel de jornal impermeabilizado. As primeiras peças desenvolvidas foram já apresentadas em Maio de 2018, no Algarve Design Meeting, em Faro.

Inspirada na lenda da Moura Cássima, esta coleção relembra o período conturbado da história de Loulé, aquando do domínio dos Mouros e da conquista da cidade por D. Paio Peres em 1149, provocando a fuga do governador mouro para Tânger. Para proteger as suas três filhas, o governador deixa-as encantadas e escondidas numa fonte.

A coleção apresentada é constituída por três conjuntos, cada um dedicado a uma das filhas do governador. As tiras de cobre são longas, retas, assimétricas, de pontas aguçadas e “abraçam” os círculos de papel de jornal (as pedras preciosas desta coleção) tal como o governador de Loulé abraça as suas belas três filhas para as proteger de um possível cativeiro.

A filha mais velha, Lydia, de pele excessivamente clara, trazia por norma uma túnica branca (colar e brincos), Zara, a filha do meio, tinha cabelos de ouro e vestia-se de amarelo como um girassol (colar e pregadeira) e a mais nova Cássima, era morena, com cabelos negros que lhe caiam em bandós no vestido verde pálido.

Cássima, a personagem principal desta lenda, tem nesta coleção um lugar de destaque (colar, brincos, anel e pulseira), evidenciando desta forma a sua importância face às outras irmãs, pois para o seu pai ela era a moura preferida, a mais gentil e formosa das três.

As irmãs Lydia e Zara foram libertadas por um escravo Carpinteiro de Loulé, que trouxe de Tânger dois pães entregues pelo governador que continham a chave para por fim ao feitiço. Diz-se que Cássima permanece encantada na fonte até aos dias de hoje, pois o pão que a libertaria foi aberto por curiosidade pela mulher do escravo Carpinteiro e perdeu assim os poderes para o seu desencantamento.  

A exposição está patente, no Museu Municipal de Loulé, até 27 de julho.